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Drone agrícola x pulverização terrestre: quando compensa

No ensaio da Embrapa Soja, o drone aplicou 10 L/ha de calda; trator, 36 e 80; costal, 200. Veja o que isso diz e o que ainda não dá pra afirmar.

Drone agrícola x pulverização terrestre: quando compensa

Depende da área, do alvo e das condições de aplicação. Segundo a Embrapa Soja, em ensaio na safra 2020/21 o drone aplicou 10 L/ha de calda, contra 36 e 80 L/ha do trator e 200 L/ha do pulverizador costal, com a mesma dose de inseticida por hectare. Não há ponto de corte em hectares confirmado.

O que diferencia o drone, o trator e o pulverizador costal?

Os três aplicam defensivo sobre a lavoura, mas de jeitos diferentes:

  • Drone agrícola: aeronave remotamente pilotada que pulveriza em baixo volume de calda.
  • Pulverizador tratorizado ou autopropelido: barra de pulverização acoplada a um trator, ou máquina com motor próprio.
  • Pulverizador costal: equipamento carregado nas costas pelo operador.

Alguns termos aparecem o tempo todo nesse debate. Volume de calda é a quantidade de mistura (água mais produto) aplicada por hectare, medida em L/ha. Deriva é o deslocamento da calda para fora do alvo. Deposição e cobertura dizem quanto da calda chega e fica na planta.

A Névoa trabalha com drones agrícolas (baterias, treinamento, regularização e loja) e tem interesse no setor; por isso este texto separa o que tem fonte do que é opinião.

O que o ensaio da Embrapa Soja mediu?

O ensaio é da safra 2020/21 e foi noticiado pela Embrapa em março de 2022. Combateu o percevejo-marrom e a lagarta-falsa-medideira na soja, com estes volumes de calda:

  • drone: 10 L/ha;
  • trator: 36 e 80 L/ha;
  • pulverizador costal: 200 L/ha.

O pesquisador Samuel Roggia afirmou que a quantidade de inseticida por hectare foi igual nos três métodos, o que significa calda mais concentrada no drone. Ele também disse que houve menos depósito de calda no drone.

Cuidado com a leitura. O ensaio mostra o volume de calda aplicado por hectare, não uma economia de água medida em custo. Por isso não usamos percentual de economia: não há fonte primária que o sustente.

Em outra frente, o pesquisador Rafael Soares, também da Embrapa Soja, disse que resultados iniciais indicaram aplicação aérea com drone tão eficiente quanto os métodos tradicionais no controle de plantas daninhas, ferrugem-asiática e percevejos na soja, com estudos em andamento.

O drone tem mais ou menos deriva e cobertura?

Os estudos disponíveis não dão uma resposta única. Entre os resultados:

  • Na UFFS (Bianchi), com papéis hidrossensíveis no solo, o drone foi superior ao pulverizador tratorizado em número de gotas, percentual de cobertura e densidade de gotas.
  • Na UFU (tese de 2025, em café), o turbopulverizador depositou mais calda ao longo do dossel. A aplicação com drone em área total teve mais perda de calda nas entrelinhas.
  • Em artigo da Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental (SciELO), condições meteorológicas e classe de gota determinam a cobertura e o depósito na aplicação por drone.

Conclusão honesta: não dá para dizer que o drone “reduz deriva” nem que “aumenta”. Depende de gota, altura, vento, velocidade e cultura. Por isso não usamos percentuais de deriva.

Quando cada um faz mais sentido?

Não existe um número de hectares confirmado a partir do qual um ou outro compensa. Há uma conclusão qualitativa. Segundo o resumo de artigo revisado da Revista Sítio Novo (IFTO, 2025, Hernández Vergara e Cruz), que analisou fluxo de caixa, VPL, TIR, payback e simulação de Monte Carlo:

  • drones são mais eficientes em áreas pequenas e de precisão;
  • autopropelidos têm vantagem econômica em grandes propriedades;
  • a recomendação é combinar as duas tecnologias.

O resumo indica essa direção, mas os valores de custo por hectare não estão nele. Trate como indicação, não como tabela.

Na hora de decidir, estas perguntas ajudam mais que qualquer regra de bolso:

  • Qual o tamanho e o formato das áreas?
  • Qual o alvo (praga, doença, planta daninha) e qual o produto?
  • Como costumam ser o vento e o clima na janela de aplicação?
  • Quem vai aplicar e se está regularizado?
  • Quanto custa contratar, e quanto custa ter equipamento próprio?

Sobre o custo de contratação, o preço varia com a área, o relevo, a distância e o produto. Não citamos valores em reais porque não há dado confirmado: peça orçamento por escrito, com as condições da sua área.

Na prática, o que decide é a área, o alvo, o vento e quem aplica.

O que a lei exige de quem aplica com drone?

Se a escolha for o drone, a Portaria MAPA 298/2021 exige, entre outras regras, registro do operador no MAPA e curso de aplicação agrícola remota, responsável técnico para pessoa jurídica e drone regular na ANAC, além de distância mínima de 20 metros de povoações, moradias, agrupamentos de animais e mananciais de captação (com exceções para produtos biológicos e orgânicos). Normas mudam: confira a versão atual no site do MAPA.

Quem vai operar precisa se regularizar, e o Projeto Regular da Névoa existe para isso. Para conferir se a aplicação cobriu toda a área, veja como verificar a cobertura da pulverização com drone.

Perguntas frequentes

Quanto de calda o drone usa em relação ao trator?

No ensaio da Embrapa Soja (safra 2020/21), o drone aplicou 10 L/ha, contra 36 e 80 L/ha do trator e 200 L/ha do costal, com a mesma dose de inseticida por hectare.

Isso é volume de calda, não economia financeira. Outros ensaios, com outras culturas e produtos, podem dar valores diferentes.

Quantos hectares por hora um drone agrícola pulveriza?

Não há estudo comparativo de hectares por hora confirmado. Os números que circulam vêm de fichas de fabricante ou revenda, em condições de teste, ou de imprensa.

Por isso não os usamos aqui. Peça o dado de campo a quem presta o serviço, na sua cultura e no seu relevo.

Drone agrícola tem mais deriva que o pulverizador de barras?

Os estudos são mistos e dependem de gota, altura, vento e velocidade. Há trabalho em que o drone cobre mais que o tratorizado e trabalho em que perde mais calda nas entrelinhas.

Não há percentual confirmado.

Em que tamanho de área vale a pena ter drone agrícola?

Não há ponto de corte em hectares confirmado. Segundo artigo revisado de 2025 (Revista Sítio Novo, IFTO), drones são mais eficientes em áreas pequenas e de precisão, e autopropelidos têm vantagem econômica em grandes propriedades. A recomendação do estudo é combinar as duas tecnologias.

A pulverização com drone controla bem pragas e doenças da soja?

Segundo a Embrapa Soja, resultados iniciais indicaram eficiência tão boa quanto a dos métodos tradicionais no controle de plantas daninhas, ferrugem-asiática e percevejos.

Os estudos seguem em andamento.

Quanto custa pulverizar com drone por hectare?

Não afirmamos um valor: o preço de contratação varia com a área, o relevo, a distância, o produto e a complexidade da operação.

Peça orçamento por escrito, com as condições da sua área.

Fontes: Embrapa Soja, notícia sobre ensaio de pulverização com drones (safra 2020/21, 2022); Embrapa Soja, reunião de pesquisa de soja (Rafael Soares); Revista Sítio Novo, IFTO (2025); UFFS (Bianchi); UFU, tese sobre deposição de calda em café (2025); SciELO, Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental; Portaria MAPA 298/2021.